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Com vitórias e fracassos, Porchat e Adnet enfrentam os desafios da TV aberta

Estreados na mesma semana, 'Programa do Porchat' (Record) e 'Adnight' (Globo) aproveitam e desperdiçam os talentos de dois grandes nomes da televisão.

porMaura Martins
29 de agosto de 2016
em Televisão
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Com vitórias e fracassos, Porchat e Adnet enfrentam os desafios da TV aberta

Imagem: Reprodução.

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Já na estreia do Programa do Porchat, na Record, o famoso comediante do Porta dos Fundos é achincalhado pelos seus novos pares de emissora. Recepcionado em uma reunião com os apresentadores Rodrigo Faro, Roberto Justus e Marcos Mion, Porchat é logo descascado por eles: seu problema seria a arrogância que carrega por ser uma espécie de estrela da internet. De Faro, leva um tapa e uma bronca certeira: “Isso aqui é tevê aberta, p*. A tevê aberta engole essa sua internet no café da manhã”. Mion completa: “Aqui tem audiência de verdade”.

O quadro é engraçadíssimo, e traz bons agouros à estreia de Porchat: ele chega acompanhado de bons roteiristas que investem, sobretudo, na auto-ironia. Há piadas sobre todas as críticas que recebeu com o anúncio de sua ida à emissora evangélica: a de que teria pouca liberdade, a de que entrevistaria apenas subcelebridades, a de que teria que se render às inevitáveis cobranças de audiência da TV aberta. Em suma, de que perderia toda sua reputação conquistada, em boa parte, com o Porta dos Fundos – que, de algum modo, causou uma certa revolução nas mídias ao angariar repercussão massiva via internet, a chamada “porta dos fundos”.

Programa do Porchat engole tudo isso e “regurgita” uma atração espirituosa, especialmente por rir de si mesma e conseguir transformar a própria crítica em produto, tal como já dito nesta coluna. Os primeiros programas tiveram mais pontos altos que baixos, e conseguem arrancar algumas francas gargalhadas. Dos pontos fracos, conforme já observado pelos críticos, estava a inexpressividade de alguns convidados (especialmente Sasha, que interessa pela curiosidade de se ver como é a filha de Xuxa – e só) e o uso de uma banda, a goiana Pedra Letícia, para servir de “escada” às piadas de Porchat. A estratégia – bastante típica dos talk shows norte-americanos, e que encontrou uma boa fórmula com a banda do Programa do Jô – parece forçada. A interação do apresentador com o humorista-repórter Fabio Vieira flui bem melhor.

A julgar pelas estreias, Porchat parece usar vantagens ao assumir suas desvantagens de estar na Record, tal como um Davi frente ao poderoso Golias. Adnet, no primeiro programa, parece engolido pela ‘máquina’.

Já que ataca assumidamente no time B da televisão, o Programa do Porchat sai por cima ao justamente usar os talentos do humorista com personagens mais trash, como o deputado e palhaço Tiririca. E para quem achava que Porchat não conseguiria levar para a TV aberta nada da crítica política que é a tônica do Porta dos Fundos, o quadro em que Tiririca é convidado a classificar figuras públicas em “abestalhado” (não gosta) e “menino lindo” (gosta) já trouxe um bom conforto aos fãs do canal.

Em um pequeno embate com o entrevistado, Porchat faz Tiririca se posicionar sobre a homofobia ao dizer o que acha de Jair Bolsonaro. Sua resposta acaba arrancando aplausos da plateia. Outro quadro feliz foi a versão acústica de “Florentina”, o “clássico” máximo de Tiririca – parodiando os superproduzidos programas acústicos da MTV com grandes artistas.

“Adnight” falha ao subaproveitar os talentos do apresentador

Desgraçadamente, a semana da estreia do Programa do Porchat coincidiu com outra novidade televisiva. O Adnight, do talentosíssimo Marcelo Adnet, tem também a proposta de ser um talk show ao estilo norte-americano, destacando a vertente humorística do seu apresentador. A expectativa era alta – Adnet preparava já há alguns meses o novo formato e já havia cravado um grande sucesso na Globo com Tá no Ar.

O resultado, no entanto, foi constrangedor, em múltiplos sentidos. Há algo de extremamente desencaixado em Adnight, e que decepciona os fãs de Tá no Ar. Diferente de Porchat, Adnet tem na mão a “nata” da televisão, e aí já se situa um dos problemas: na frente daqueles que outrora zoa, ele parece contido, envergonhado, excessivamente respeitoso. O programa de estreia se centralizou em Galvão Bueno, com uma proposta (mal executada) de desconstruir o famoso narrador esportivo.

Extremamente ensaiado, conforme já apontou o crítico Maurício Stycer, os quadros de Adnight acabam por transformar Galvão em alguém ainda mais antipático do que é. O tom “controlado” do programa parece destoar de alguém que consolidou uma carreira exatamente em cima do improviso. Há muito pouco de Tá no Ar e muito de Estrelas e Videoshow, ou seja, uma celebração desesperada da emissora global. Mesmo o possível toque de subversão – quando ele confronta a “internet”, na figura do criador do bordão “Cala a boca Galvão”, com o próprio narrador – soa sem graça.

A julgar pelas estreias, Porchat parece usar vantagens ao assumir suas desvantagens de estar na Record, tal como um Davi frente ao poderoso Golias. Adnet, no primeiro programa, parece engolido pela “máquina”. Esperemos que as emissoras saibam, nos próximos episódios, explorar com sagacidade o talento destes grandes humoristas.

Tags: AdnightFábio PorchatFlorentinaGloboMarcelo AdnetPorchatPrograma do JôPrograma do PorchatRecordTá no arTalk ShowTelevisãoTiririca

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