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’24: Legacy’ realça o cansaço da franquia e ganha fôlego ao mesmo tempo

'24: Legacy' repete a mesma fórmula de '24 Horas', mas ainda consegue ser um entretenimento interessante.

porRodrigo Lorenzi
21 de fevereiro de 2017
em Televisão
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'24: Legacy' realça o cansaço da franquia e ganha fôlego ao mesmo tempo

Imagem: Reprodução.

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Quando 24 Horas surgiu, o formato inovador, o roteiro surpreendente e a ação frenética chamaram a atenção do público. Integrante da nova era de ouro da televisão, que começou em 1999 com Família Soprano, 24 Horas se tornou também um ato político. Ao estrear apenas dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, os norte-americanos precisavam de um herói e Jack Bauer era o perfeito defensor do solo americano e a série uma das produções mais patrióticas dos últimos tempos. 24 Horas teve oito temporadas, um filme em 2008 e uma minissérie em 2014 e levou o Emmy de melhor série em sua quinta temporada, alcançando números impressionantes. Como ocorre com produções longas demais, o formato cansou, o roteiro se tornou mais do mesmo e a audiência se fragmentou. Agora, três anos depois da última aparição de Bauer e sem nosso herói como protagonista, 24 Horas retorna com um spin-off, sem a mesma força, mas com mesmo entretenimento de anos atrás. Ao menos para os fãs que se arrepiam com o reloginho na tela.

Diferentemente da interessante minissérie Live Another Day, que com apenas 12 episódios conseguiu manter o ritmo e formar uma história interessante, Legacy prefere trazer de volta exatamente o que fez da série um sucesso. Todas as subtramas estão lá, o protagonista quebra as regras para conseguir salvar o dia e todo mundo parece suspeito. O novo Jack Bauer agora é Eric Carter (Corey Hawkins), que matou um importante líder terrorista há meses e agora precisa evitar um ataque em solo americano motivado por vingança. Como de costume, há algumas histórias que provavelmente não servirão para nada, como a esposa de Carter, Nicole (Anna Diop), que é levada para seu bairro antigo para ser protegida pelo seu cunhado, mas se vê no meio de uma confusão de gangues. Enquanto isso, Carter tem uma aliada dentro da Unidade Contra Terrorismo  (UCT), a ex-chefe da Unidade, Rebecca Ingram (Miranda Otto), que recentemente se demitiu para ajudar seu marido, o senador John Donovan (Jimmy Smits), na campanha presidencial. Obviamente, alguns traidores podem estar dentro da UCT ou do governo. Nada de novo sob o Sol, mas então por que a FOX ainda insiste em reviver a franquia e por que uma boa parcela do fãs continua assistindo?

Por que a FOX ainda insiste em reviver a franquia e por que uma boa parcela do fãs continua assistindo?

Se 24 Horas estreou após o maior ataque terrorista nos Estados Unidos, Legacy estreia após uma turbulenta eleição americana, em que Donald Trump impede a entrada de muçulmanos e declara guerra aos imigrantes. Assim, uma série focada em terrorismo e que coloca os muçulmanos como grandes vilões talvez não seja o mais apropriado para o momento, mas chama atenção. Entretanto, 24: Legacy não parece muito preocupada em levantar alguma bandeira política, como a série original fez, mas entregar apenas uma história de ação, sem esperar um impacto tão grande quanto há 16 anos e sem se levar a sério.

Ao menos é o que podemos ver nos três primeiros episódios exibidos. Diferentemente de Homeland, que ainda consegue discutir de forma brilhante a situação política mundial, 24: Legacy não traz nenhuma complexidade até o momento. Com personagens bem definidos e uma história que está longe de soar verossímil, a série foca mais na ação do que em querer dizer alguma coisa que não seja unicamente a diversão de sua audiência, que anda baixa. Há uma eleição acontecendo na narrativa, mas em nenhum momento há algum comentário a respeito de Donald Trump ou Barack Obama. Não há qualquer menção a problemas com imigrantes ou atentados terroristas recentes. O protagonista não traz todo o charme e complexidade de Jack Bauer, mas carrega um pouco de carisma capaz de nos fazer torcer por ele.

No fim que a franquia 24 Horas acabou se tornando uma série de ação como outra qualquer e que poderia ser exibida para sempre. Para os que já superaram o formato, o roteiro é cansativo e Legacy reafirma isso em cada frame, especialmente com diálogos um tanto quanto mal escrito. Para os fãs, a série está do jeitinho que sempre foi. Mesmo com uma fórmula desgastada e que não carrega o peso da original, 24: Legacy continua fazendo com que a audiência fique nervosa a cada bip do relógio. Para o bem ou para o mal, 24 Horas está de volta, ao menos por mais 12 episódios.

Tags: 24 horas24: LegacyCorey HawkinsEric CarterFoxJack BauerResenhaSeriadosSéries

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