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Crítica: ‘Dias Felizes’ e o desconforto (extremo?) de Beckett – Festival de Curitiba

'Dias Felizes', montagem da Cia. Armazém apresentada no Festival de Curitiba, reafirma a força do teatro como experiência de inquietação e encontra em Patrícia Selonk uma intérprete de rara potência cênica.

porPaulo Camargo
7 de abril de 2026
em Teatro
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Jopa Moraes e Patrícia Selonk dividem o palco em 'Dias Felizes', encenado durante o Festival de Curitiba. Imagem: Lina Sumizono / Divulgação.

Jopa Moraes e Patrícia Selonk dividem o palco em 'Dias Felizes', encenado durante o Festival de Curitiba. Imagem: Lina Sumizono / Divulgação.

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Há espetáculos que aproximam. Outros afastam. Dias Felizes, de Samuel Beckett, pertence ao segundo grupo. Apresentada em duas sessões no Guairinha, dentro da Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba, a montagem provocou reações distintas. Na saída, não eram poucos os que a definiam como lenta, pesada deprimente ou difícil. Quase todos, porém, reconheciam a força da atuação de Patrícia Selonk.

Não chega a ser surpresa. Beckett nunca foi um autor de fácil adesão. Desde Esperando Godot e Fim de Partida, seu teatro se constrói menos pela ação, pela narrativa, do que pela condição humana exposta em cena. Dias Felizes, escrita em 1961, aprofunda essa proposta.

A peça nasceu de uma pergunta do próprio Beckett: seria possível escrever algo mais luminoso? O resultado foi uma obra que o autor classificou como uma comédia trágica. Winnie, a protagonista, fala sem parar sobre pequenos gestos cotidianos enquanto está literalmente presa ao chão. Primeiro até a cintura. Depois, apenas com a cabeça visível.

Winnie, a protagonista, fala sem parar sobre pequenos gestos cotidianos enquanto está literalmente presa ao chão. Primeiro até a cintura. Depois, apenas com a cabeça visível.

Na encenação da Cia. Armazém, dirigida por Paulo de Moraes, essa imagem organiza o espetáculo. O cenário cria um espaço árido, sem referências precisas de tempo. A tradução de Jopa Moraes introduz pequenas atualizações que aproximam o texto de preocupações atuais, como o risco ambiental, sem alterar a estrutura da obra.

Os elementos visuais — cenário, luz, som e figurino — trabalham nessa mesma direção: criar um espaço suspenso, que pode ser passado, presente ou futuro.

No centro está Patrícia Selonk. Sua Winnie sustenta o espetáculo. O trabalho se constrói no ritmo da fala, na repetição dos gestos e na relação com os objetos retirados da bolsa. A personagem se prepara para um dia que não começa e organiza uma rotina que não leva a lugar algum. A esperança aparece mais como hábito do que como convicção.

Willie (Jopa Moraes), o marido, aparece pouco. Rasteja, lê o jornal, responde com poucas palavras. Mais do que um diálogo, o que existe é uma tentativa de comunicação.

Talvez seja justamente isso que tenha causado estranhamento em parte do público. Beckett não oferece progressão dramática convencional. O que está em cena é permanência.

Dias Felizes não é um espetáculo que busca agradar. É um espetáculo que pede atenção. E, como sempre acontece com Beckett, isso nunca é para todos.

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Tags: Armazém Companhia de TeatroDias FelizesFestival de CuritibaPatrícia SelonkSamuel BeckettTeatro

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