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‘Judas e o Messias Negro’ é um drama político de tirar o fôlego

Com seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, 'Judas e o Messias Negro' retrata, do lado de dentro, o plano para assassinar o líder dos Panteras Negras, no fim dos anos 1960.

porPaulo Camargo
8 de abril de 2021
em Cinema
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Daniel Kaluuya como o líder Fred Hampton

Daniel Kaluuya é o favorito ao Oscar de melhor ator coadjuvante, como o líder Fred Hampton. Imagem: Divulgação.

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Está nos olhos e na voz de Fred Hampton, esplendidamente interpretado pelo ator britânico de origem ugandense Daniel Kaluuya (de Corra!), a alma do arrebatador drama Judas e o Messias Negro, indicado a seis Oscar, entre eles o de melhor filme. Embora não seja uma cinebiografia, e Hampton nem seja, exatamente, o seu protagonista, o ativista, presidente dos Panteras Negras, partido mais emblemático do movimento negro nos Estados Unidos, reverbera e se espalha por toda a narrativa, como se ele estivesse presente em cada cena.

O messias do título do longa-metragem, Hampton tinha apenas 21 anos à época, fim dos anos 60, mas  com o seu carisma extraordinário, retratado com maestria por Kaluuya (favorito ao Oscar de melhor ator coadjuvante), ele tinha à sua disposição uma pequena legião de seguidores fiéis, dispostos a dar a vida ao movimento. Seu intento era fazer com que esse exército crescesse, contando não apenas com “soldados” negros. Ele acreditava; em sua cruzada messiânica, que a causa libertária que defendia era inclusiva e dizia respeito a todos, brancos, latinos. Por isso, era visto pelo status quo como uma ameaça, um inimigo de Estado

Na visão do cineasta Shaka King, que assina Judas e o Messias Negro, o poder de Hampton estava, sobretudo, em sua oratória, na capacidade de mobilizar por meio dos seus discursos inflamados e emocionantes. Eles são um dos pontos altos do filme. E é justamente essa qualidade messiânica de Hampton que pede, de forma quase paradigmática, uma figura antagônica, um Judas, encarnada por Bill O’Neal (LaKeith Stanfield, também indicado à estatueta de coadjuvante). Ele é o militante hesitante, e invejoso do brilho de seu companheiro, que decide trai-lo, vendendo-se ao FBI, cuja missão é desbaratar os Panteras Negras.

Na visão do cineasta Shaka King, que assina Judas e o Messias Negro, o poder de Hampton estava, sobretudo, em sua oratória, na capacidade de mobilizar por meio dos seus discursos inflamados e emocionantes.

Distanciando-se de uma visão maniqueísta, e simplificadora, a relação entre Hampton e O’Neal não é construída pela narrativa como antagônica, mas dissonante, tensa. Eles são aliados que discordam e, muito jovens, veem questões políticas e pessoais se misturarem. Ponto para o filme. O inimigo, segundo o filme, é o establishment, o Estado, e não um indivíduo.

O filme inicia e termina com Bill O’Neal. Veem-se na tela cenas do personagem no documentário Eyes on the Prize e dele já na pele de LaKeith Stanfield, que também está excelente no papel. Portanto, não é um mistério para o espectador que ele se infiltrou nos Panteras em troca do FBI retirar as acusações de roubo. Mas a “verdade” do filme não está aí, e sim na complexidade da relação que se estabelece entre ele e Hampton.

O’Neal se transforma à medida em que se aproxima de Fred Hampton e busca pela própria identidade. Esse processo complexo, que o retira da condição de um antagonista, é outro ponto alto do filme. Aqui, o personagem não é somente alguém que traiu um movimento em uma ação que provocou a morte de seu líder. O roteiro, também indicado ao Oscar, está interessado em outra narrativa, mais subjetiva. Como ele, um sujeito sem engajamento na causa do partido, e que aceita ser infiltrado, enfrenta um conflito interno ao se descobrir tocado pelo ideário do movimento. Essa dicotomia é interessantíssima.

A fotografia de Sean Bobbit, também nomeada ao prêmio da Academia, ao mesmo tempo em que nos oferece cores e texturas do cinema realista norte-americano do fim dos anos 60, início dos 70, é também muito sensual, epidérmica, e nos coloca rente aos personagens e suas peles negras, em planos fechados e close-ups. A trilha sonora de Craig Herris e Mark Isham, marcada por forte base percussiva com sonoridades africanas, contribui para a intensidade narrativa, que é de tirar o fôlego.

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Tags: black powerCrítica CinematográficaDaniel KaluuyafbiJudas e o Messias NegroLaKeith StanfieldMovimento NegroOscar 2021Panteras NegrasShaka King

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