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‘A Janela Para o Outro Lado’: resistência em tempos sombrios

'A Janela Para o Outro Lado' é uma coletânea de poemas escritos dentro do gueto de Varsóvia, que narram as "memórias do fundo do inferno".

porLuiz Henrique Budant
18 de fevereiro de 2019
em Literatura
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'A Janela Para o Outro Lado': resistência em tempos sombrios

Imagem: Reprodução.

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Como se resiste a tempos sombrios?

Uma possível resposta se encontre, talvez, em A Janela Para o Outro Lado: poemas do Gueto de Varsóvia (Dybbuk, 2018, tradução de Piotr Kilanowski). Seu autor é um poeta pouco conhecido, Władysław Szlengel, judeu-polonês, assassinado em 1943, durante o Levante do Gueto de Varsóvia.

Szlengel nasce em 1914, em Varsóvia, e, já na década de 1930, consegue inserção nos meios culturais poloneses. Aqueles, contudo, não eram tempos fáceis. Em 1939, Szlengel participa da resistência à ocupação e, após a derrota, acaba se mudando para Białystok (sob ocupação soviética). Num ato que, da perspectiva de 2019 parece impensável, ele retorna com sua esposa à Varsóvia ocupada pelos nazistas em 1940. Passa, então, a habitar o gueto de Varsóvia, o maior da Europa.

Uma chance de conhecer as ‘memórias do fundo do inferno’.

O gueto já não existe, hoje há o bairro varsoviano de Muranów.

Mas há a memória.

E a memória se faz ouvir nos arquivos de Ringelblum (latas de leite e caixas repletas de jornais, poemas escritos em iídiche) e, também, nos poemas de Władysław Szlengel (que escreveu apenas em polonês).

São poemas que doem, como “O acerto de contas com Deus”, em que o eu-lírico senta-se com Deus (que, por acaso, é cidadão do Uruguai) e lhe pergunta:

“o que você me dá hoje
Por todos os meus feitos bons?
O bloco… a placa… a praça…
Treblinka ou os cupons?
Esperava ainda que eu
Amanhã como legado
Indo para o gás prússico
‘Amém’ tivesse falado?”

E o que faria de Deus uruguaio, não brasileiro? Duas coisas precisam, aqui, ser lembradas. 1) Ter uma cidadania estrangeira salvou muita gente naqueles anos terríveis (muito comuns eram passaportes uruguaios e bolivianos) e; 2) o governo brasileiro era francamente antissemita, salvo mui honrosas exceções.

Poemas como este foram publicados clandestinamente dentro do gueto. Além de escrever, Szlengel organizou uma vida cultural no gueto, lendo poemas para uma variada plateia.

E o que Szlengel lia para os mortos? “O que lia para os mortos” é, justamente, título do texto em prosa que abre a coletânea A janela para o outro lado e, precisamente, é o que leremos ao folhearmos esse pequeno, porém precioso livro.

A publicação também conta com uma introdução do tradutor, um texto de Emanuel Ringelblum (o “historiador do gueto de Varsóvia”), um texto de Carlos Reiss (Museu do Holocausto) e outro de Marcelo Paiva de Souza (UFPR).

Uma chance de conhecer as “memórias do fundo do inferno” (como com justeza diz Szlengel), uma chance de lembrar, uma viagem a um mundo destruído, habitado por pessoas que, por mais que lhes dissessem (e espancassem, e torturassem, e humilhassem) o contrário, se sabiam humanas. Profundamente humanas.

A JANELA PARA O OUTRO LADO: POEMAS DO GUETO DE VARSÓVIA | Wladyslaw Szlengel

Editora: Dybbuk;
Tradução: Piotr Kilanowski;
Lançamento: Fevereiro, 2019.

Tags: A janela para o outro ladoBook ReviewEditora DybbukLiteraturaLiteratura de TestemunhoMuseu do HolocaustoPoesiapoesia polonesaResenhaWladyslaw Szlengel

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