• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘A Resistência’: porque resistir é preciso!

Em 'A Resistência', Julián Fuks faz ajuste de contas com seu próprio passado e escancara o perigo que a América Latina vive hoje.

porJonatan Silva
22 de abril de 2016
em Literatura
A A
'A Resistência': porque resistir é preciso!

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A literatura são mares em paralelo. Seja pelas histórias que se cruzam, ou pelos personagens comuns que se misturam à multidão. Em A Resistência (Companhia das Letras, 142 págs.), romance mais recente de Julián Fuks, uma família argentina deixa seu país para tentar uma vida melhor e fugir da ditadura – ainda que a Terra Prometida, o Brasil, não esteja em uma posição mais vantajosa. Até certo ponto, essa é um acerto de contas do próprio autor. Por outro lado, é um diálogo com o livro homônimo do hermano Ernesto Sabato (1911 – 2011), cuja morte completa cinco anos no próximo dia 30.

A Resistência, já na primeira fase, cria uma imagem de desconforto: “meu irmão é adotado”, dispara o narrador sem preparar o leitor. E esse é o tom do livro. Pequenas farpas são disparadas contra a família, contra o país deixado para trás e contra o país que recebe os dissidentes. Fuks, que esteve entre os jovens escritores escolhidos pela revista Granta em 2012, cria uma prosa íntima, às raias da confissão – uma maneira de transformar o leitor em cúmplice de todo o jogo linguístico e político em que o livro se insere.

Os pais psicanalistas estão/são inertes em relação ao filho adotivo. Eles resistem. Os filhos se mantém incólumes à realidade. Também resistem. E Fuks vai construindo, capítulo a capítulo, um esquema muito próprio de contar sua história, deixando que seus personagens se assumam e se assombrem com o que há diante deles. “Com meus pais aprendi que todo sistema é signo. Que, tantas vezes, contrariando a razão, contrariando a rigidez da garganta, a imobilidade da língua, o corpo grita”, adverte o narrador. O grito – de rebeldia e de dor – é uma resposta à tortura física, psicólogos e, se é possível dizer, social.

Não há como ficar imune ao endireitamento pelo qual qual a América Latina está passando. Talvez essa não seja a real intensão do livro, mas fica na boca um gosto de fel.

Cabe ao narrador, que no caso é o caçula, colocar os pontos nos is. É dele a responsabilidade. Como na música de Morrissey, o mais novo é o mais amado, mas é também ele o único capaz de ver de longe, se afastar com um quê de frieza e observar tudo e todos. E por quê? Porque ele não está ligado a nada, pois tudo está ligado a ele. Só assim é possível resistir de verdade.

Todo o sentido

Não está claro o que é biográfico e o que está no plano ficcional. Pouco importa. Pouco importa de A Resistência tem seu núcleo em Buenos Aires. É possível inverter e, ainda assim, a narrativa faz todo sentido. Existem paralelos entre o cenário atual e a década de 1960/70, tempos em que vozes mais duras falavam mais alto. É como a Santiago sitiada pelos militares de Alejandro Zambra ou a Nairobi de Ngũgĩ wa Thiong’o (leia aqui a resenha de Um Grão de Trigo).

Não há como ficar imune ao endireitamento pelo qual qual a América Latina está passando. Talvez essa não seja a real intensão do livro, mas fica na boca um gosto de fel.

“Um dia tudo é alheio”, justifica o livro – que responde com a sua própria epígrafe: “acredito que há que se resistir; esse tem sido meu lema”.

A RESISTÊNCIA | Julián Fuks

Editora: Companhia das Letras;
Tamanho: 144 págs.;
Lançamento: Outubro, 2015.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Alejandro ZambraCompanhia das LetrasCríticaCrítica Literáriaditadura argentinaditadura brasileiraDitadura MilitarErnesto SabatoJulián FuksLiteraturaLiteratura ArgentinaLiteratura BrasileiraNgũgĩ wa Thiong'o

VEJA TAMBÉM

Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Bellotto venceu o Jabuti de 2025 pela obra, lançada no ano anterior. Imagem: Chico Cerchiaro / Divulgação.
Literatura

‘Vento em Setembro’ transita entre o mistério e as feridas do Brasil

24 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
'(Um) Ensaio sobre a Cegueira' na montagem do Grupo Galpão. Imagem: Maringas Maciel.

Crítica: ‘(Um) Ensaio sobre a Cegueira’: Quando a cegueira atravessa a porta do teatro – Festival de Curitiba

2 de abril de 2026
Gioavana Soar e Fabíula Passini falam com exclusividade à Escotilha. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Festival de Curitiba reforça papel para além do palco e aposta em memória, abertura e acessibilidade

1 de abril de 2026
Duo chega no auge para seu show no Brasil. Imagem: Lissyelle Laricchia / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Magdalena Bay

31 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.