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‘Céus e Terra’: nem tanto ao céu, nem tanto à terra

Vencedor do Prêmio Sesc de 2017, ‘Céus e Terra’, de Franklin Carvalho, apresenta um autor proeminente, ainda que a obra não seja apenas virtudes.

porAlejandro Mercado
17 de janeiro de 2017
em Literatura
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Céus e Terra Franklin Carvalho

Capa de 'Céus e Terra', de Franklin Carvalho. Foto: Reprodução / Record / Túlio Cerquize.

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A realidade da leitura no país é desesperadora. A cada nova pesquisa os números parecem assustar mais e mais. Neste contexto, não apenas os editais públicos mas também os prêmios literários, como o do Sesc, são fundamentais por permitir que autores com potencial recebam um empurrão.

Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2016 na categoria Romance, Céus e Terra do jornalista baiano Franklin Carvalho caminha na difícil linha entre o promissor e o pretensioso, mas talvez isso seja mais resultado do processo de divulgação do que necessariamente fruto da escrita de Carvalho.

O início de Céus e Terra realmente aponta uma trama interessante, com Carvalho imprimindo sua prosa leve e precisa, flertando com o realismo mágico latino-americano. A obra conta a história de três mortes ocorridas em 1974, todas elas narradas a partir da visão do menino Galego, filho de uma família humilde que é decapitado por acidente no início da obra. Galego não apresenta pena ou lamentações sobre sua própria morte, e a partir disso passa a acompanhar a vida da cidade onde nasceu, cresceu e morreu. E é esse primeiro quarto de Céus e Terra que prende o leitor ao livro.

A estrutura elaborada pelo autor, de dividir o livro em capítulos que correspondem a um mês do ano dá um ritmo interessante à obra. Não obstante, também a torna maçante.

A transformação de Galego, um menino irrelevante até então, em figura mitológica e sábia é muito bem conduzida por Franklin Carvalho. A forma como ele descreve a cena da decaptação, Galego em frente a um homem crucificado, e todas as reflexões sobre essa sociedade a partir desta pequena metáfora religiosa são realmente incríveis.

A estrutura elaborada pelo autor, de dividir o livro em capítulos que correspondem a um mês do ano, de abril a dezembro (período em que a trama acontece), dá um ritmo interessante à obra. Não obstante, também a torna maçante, especialmente a partir da segunda metade em diante.

É visível que o autor procura estabelecer alguns contrastes entre expectativas e realidades de Galego, contudo, começa a surgir um certo distanciamento, como se o narrador complexo e fantasmagórico desse espaço a um observador em terceira pessoa, tornando um relato mais genérico, sem atingir verdadeiramente o ponto em que sua morte lhe conferisse a sapiência que insinua na primeira metade.

Autor de dois livros de contos independentes – Câmara e Cadeia (2009) e O Encourado (2009) –, Franklin Carvalho realmente demonstra que possui virtudes literárias que podem ser aprimoradas com o tempo. O talento de suas linhas iniciais apontam um autor que tem ciência dos possíveis riscos e não se amedronta por eles. Que assim como disse Cíntia Moscovich, que assina a orelha de Céus e Terra, o autor tenha vida longa e produtiva.

CÉUS E TERRA | Franklin Carvalho

Editora: Record;
Tamanho: 200 págs.;
Lançamento: Outubro, 2016.

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Tags: Céus e TerraCrítica LiteráriaEditora RecordFranklin CarvalhoGrupo Editorial RecordLiteraturaLivrosPrêmio SESCPrêmio Sesc de LiteraturaRomance

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