• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Rosângela Vieira Rocha resgata sombras da história recente do Brasil

'O indizível sentido do amor', de Rosângela Vieira Rocha, aborda luto e testemunho sobre tortura.

porMarilia Kubota
13 de março de 2018
em Literatura
A A
Rosângela Vieira Rocha resgata sombras da história recente do Brasil

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

O indizível sentido do amor (Patuá, 2017), de Rosângela Vieira Rocha, é a rememoração de um luto. A protagonista atravessa o oceano para compreender a perda de José Antônio, seu ex-marido. Em Lisboa, conhece um companheiro de luta armada de José. Com o encontro, espera dissipar as sombras que pairavam em seu relacionamento afetivo.

“Engulo um calmante sem água mesmo, mas não consigo dormir, pela segunda noite consecutiva. Acendo a luz e percebo, consternada, que nada pode iluminar esse quarto, mergulhado na mais funda escuridão. Só consigo enxergar o horror, é como se eu estivesse assistindo às sessões de tortura, posso ver tudo de uma só vez, acontecendo ali, naquele momento e na minha frente, tudo que esteve tão presente o tempo todo e só eu parecia não me dar conta. É impossível parar de chorar por algo tão brutal.” (página 19)

O silêncio foi a única defesa possível para os sofrimentos de quem viveu nas catacumbas. Não havia defesa para os torturados, depois de soltos, a não ser continuar a viver como se nada tivesse acontecido.

A protagonista e José tiveram uma vida intensa de companheirismo. Conheceram-se e logo estavam morando juntos, num alojamento universitário. Preparavam suas pesquisas acadêmicas. Eram os anos de chumbo. José envolve-se com política e é preso. Levado para a Ilha Grande, sofre torturas e conhece outros presos políticos, como o português Alípio de Freitas.

É com Alípio que a protagonista tem a expectativa de obter revelações sobre o período do encarceramento de seu amado. Discreto, José quase nada comentou com a mulher sobre as torturas que sofreu. Depois de libertado, consegue um emprego público e se torna funcionário exemplar. O casal não consegue ter filhos, por conta dos choques elétricos recebidos na prisão.

O estoicismo é a marca do casal: para pouparem-se, não comentam o período vivido na prisão. Vivem em silêncio lado a lado, ele ouvindo música, ela lendo e escrevendo. O pacto de silêncio estabelecido é quebrado com a morte de José. A urgência de saber sobre a dor do amado atravessa a ex-mulher. Assim, ela vai em busca de respostas.

Rosângela Vieira Rocha procura reconstruir as sombras do passado histórico recente no Brasil. Há uma vasta bibliografia, na ficção brasileira, sobre censura e repressão. No período da censura, Sombras de reis barbudos, de José J. Veiga, Zero, de Ignácio Loyola Brandão, Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, os três postos no Index – a lista de livros proibidos de circular nos anos 70. Nos anos 2000, vemos surgir relatos de autoras: Aqui, no coração do inferno (2016), de Micheliny Verunschk, e Outros cantos (2016), de Maria Valéria Rezende.

O silêncio foi a única defesa possível para os sofrimentos de quem viveu nas catacumbas. Não havia defesa para os torturados, depois de soltos, a não ser continuar a viver como se nada tivesse acontecido. Alguns puderam rememorar, escrevendo sua história. A outros restou o vazio. A vida que é uma ordem, ou um nada, diante da tirania. Os sobreviventes misturaram-se à sociedade, tiveram amores e trabalhos. Alguns puderam contar o que viveram. Outros, como os soldados da Primeira Guerra, que Walter Benjamin descreve, só trouxeram a mudez como testemunha do horror.

Rosângela Vieira Rocha é escritora, jornalista, mestre em Comunicação Social, bacharel em Direito e professora aposentada da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Tem onze livros publicados, quatro para adultos e sete infantojuvenis. Recebeu o Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG-1988 com o romance Véspera de lua e a Bolsa Brasília de Produção Literária 2001, com a novela Rio das pedras. Participou de várias coletâneas, entre as quais Mais de trinta mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, organizada por Luiz Ruffatto.

O INDIZÍVEL SENTIDO DO AMOR | Rosângela Vieira Rocha

Editora: Patuá;
Tamanho: 200 págs.;
Lançamento: Agosto, 2017.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Book ReviewCrítica LiteráriaDitadura MilitarEditora PatuáLiteraturaLivrolutoO Indizível sentido do amorResenhaReviewrosangela vieira rochaTortura

VEJA TAMBÉM

A jornalista inglesa Sophie Gilbert. Imagem: Urszula Soltys / Divulgação.
Literatura

‘Garota sobre Garota’ mostra como a cultura pop traiu as mulheres nos anos 2000

18 de junho de 2026
Em 'O Adversário', Emmanuel Carrère reconta um dos crimes mais chocantes da história da França. Imagem: Andreu Dalmau / Reprodução.
Literatura

‘O Adversário’: a história real de um homem que matou para sustentar uma mentira

29 de maio de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Não há redenção possível para Rue em 'Euphoria'. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Euphoria’ perde força e encerra sua história de forma decepcionante

21 de julho de 2026
Dois casais estão em apuros em 'O Convite'. Imagem: Annapurna Pictures / Divulgação.

‘O Convite’ retrata o desconforto da intimidade

21 de julho de 2026
Jamie Bell e Richard Gadd em 'Pela Metade'. Imagem: BBC Studios / Divulgação.

Repressão, masculinidade tóxica e o peso do desejo em ‘Pela Metade’

3 de julho de 2026
Zendaya e Robert Pattinson estrelam nova produção da A24. Imagem: A24 / Divulgação.

‘O Drama’ é um dos filmes mais provocativos do ano

23 de junho de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.