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‘Razões do Agir de um Bicho Humano’: um decálogo canhoto

'Razões do Agir de um Bicho Humano', livro de estreia de Vinicius F. Barth, desfaz a barreira do real e do imaginário.

porJonatan Silva
20 de maio de 2016
em Literatura
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'Razões do Agir de um Bicho Humano': um decálogo canhoto

Imagem: Reprodução.

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O escritor tcheco Franz Kafka, em carta ao amigo Oskar Pollak, disse que só devemos ler os livros que “nos mordem e aferroam”. O curitibano Vinicius F. Barth, em seu livro de estreia, Razões do Agir de um Bicho Humano (Confraria do vento, 112 págs.), consegue despertar tamanha estranheza em seus leitores. Dono de uma prosa dilacerante, Barth cria um universo kafkiano, dantesco e – às raias do – borgeano. Por sinal, o autor d‘A Metamorfose parece ter sido o ponto de partida para o segundo conto do livro, “Distúrbio do sono”.

Os dez textos – e os fragmentos que pulam das páginas como pedras nos olhos – que dão corpo ao livro funcionam como um decálogo canhoto, uma espécie de antimanual de sobrevivência. Das montanhas ao sertão, todos os personagens estão envoltos em alguma obsessão ou tragédia – são pobres-diabos à procura de uma razão para existir. É como o inferno, além de ser os outros, fosse também cada um de nós.

“Tópicos gastronômicos”, antepenúltimo conto, é uma excelente chacota ao academicismo desenfreado que parece ter tomado conta da literatura contemporânea. Como David Foster Wallace, que chorou a morte da lagosta, Barth explora os hábitos alimentares com certa excentricidade. O relato é curto, mas certeiro. O tom de deboche pega em cheio aqueles incautos que validam as letras como um deus auxiliar, capaz de transportá-los/catapultá-los da universidade às rodas de debate.

Barth constrói uma obra sobre todos os lugares e sobre lugar nenhum, sobre todos os nomes e sobre aquilo que não deve ser nomeado. É um livro sobre tudo, mas também sobre o nada.

Escrevo sobre os contos de forma aleatória porque é assim que eles devem ser lidos: fora de ordem. “A Mitologia do Arroz” é uma alegoria à ignorância, ao mito da caverna e ao obscurantismo que ainda nos cerca na vida real ou atrás de qualquer tela de computador. “Nostalgia Café” é o típico conto de gaucho e do crioulo, que ganhou notoriedade por meio da literatura de Jorge Luis Borges. “Tópicos Cerebrais”, partes I e II, coloca a noção de realidade do leitor em jogo. O conto que dá nome ao livro é um proto-ensaio sobre a necessidade de nossa fé e a relação entre crenças e desgraças que nos perseguem desde que acordamos.

Sem regras

Razões do Agir de um Bicho Humano não se atém a normas e não se deixa subjugar por regras. Tudo está em suspenso até a segunda ordem. E é, ao mesmo tempo, um livro dialoga – talvez sem consciência da feliz coincidência – com O Estranho Hábito de Dormir em Pé, de Paulo Sandrini.

“Acho que mais comum é cabeça voante, de gente que só sabe onde não está”, diz o texto na quarta capa. Barth constrói uma obra sobre todos os lugares e sobre lugar nenhum, sobre todos os nomes e sobre aquilo que não deve ser nomeado. É um livro sobre tudo, mas também sobre o nada.

RAZÕES DO AGIR DE UM BICHO HUMANO | Vinicius F. Barth

Editora: Confraria do Vento;
Tamanho: 112 págs.;
Lançamento: Janeiro, 2015.

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Tags: Confraria do ventoCríticaCuritibaDanteDavid Foster WallaceFranz KafkaJorge Luís BorgesLiteraturaLiteratura CuritibanaPaulo SandriniVinicius F. Barth

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