• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Aranhas’: os fios narrativos de Carlos Henrique Schroeder

Contos de 'Aranhas', nova obra de Carlos Henrique Schroeder, investigam os absurdos e as contradições de um país à beira de uma nova Idade Média.

porJonatan Silva
17 de abril de 2020
em Literatura
A A
O escritor Carlos Henrique Schroeder

O escritor Carlos Henrique Schroeder. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Clarice Lispector, em sua última entrevista, publicada somente após a sua morte, disse que escrevia como quem bebe água. Para a autora de Felicidade Clandestina, escrever é tão urgente quanto cotidiana, tão elementar quanto necessária. Em Aranhas, Carlos Henrique Schroeder usa a metáfora dos aracnídeos para tecer uma literatura realista, que explora as contradições e os absurdos de uma realidade fugidia.

Os contos que dão forma ao livro –  e levam os nomes populares e científicos de diversas aranhas – são investigações desse mesmo cotidiano clariceano, e que se debruça sobre os abismos particulares de personagens esgotados. Ao contrário de Lispector, o escritor catarinense tece um fio condutor que percorre toda a obra para desembocar em uma espécie de apoteose narrativa, uma construção simbólica em cada uma das histórias.

Com uma leva cínica, o autor traça o retrato de um país hipócrita – capaz de negar as suas próprias raízes – e de uma sociedade escondida pelo tênue verniz da civilidade. Ao mesmo tempo, faz um passeio pelos bosques da ficção, como em “Golias-comedora-de-pássaros (Theraphos blondi)” em que recria Gregor Samsa na forma de uma aranha gigante. Nesse jogo de releitura e roubo, Schroeder homenageia o autor argentino Pablo Katchadjian, que despertou a fúria – pessoal e judicial – da viúva de Jorge Luis Borges ao recriar o relato “O Aleph”.

Nesse sentido, se por um lado Aranhas é um olhar importante para o Brasil de hoje, é também um diálogo interessante e bastante inteligente com a literatura latina – principalmente, Borges, Cortázar, Puig, Aira, Copi. São ecos que percorrem os textos, que ajuda a entender o limite da criação e da influência.

Aranhas é um livro com muitas obras dentro de si, uma experiência de linguagem, temática e leitura. É um contraponto à visão obscurantista que tem dominado um país assolado pelo vírus e pelo verme.

Ideias invisíveis

Schroeder brinca com as ideias invisíveis. Em “Saltadora (Evarcha culicivora)”, por meio de uma tensão corrente e constante, Ana parece enfiada no universo aterrador de um típico giallo de Mario Bava. O conto “Teia de funil (Atrx robustus)” evoca o duplo – em sua constituição dostoieviskiana – para expor os conflitos de uma família arruinada, afundada em sua própria lama.

Enquanto investiga a sua obsessão pelos aracnídeos, Carlos Henrique Schroeder faz de Aranhas um tratado sobre a solidão nas cidades. Como História da chuva e As Fantasias Eletivas, o escritor dá voz aos silenciados e, em simultâneo, escancara a ambivalência de valores e percepções. “De parede (Selenops spixi)” – narrativa sobre uma lésbica cujos problemas com a sexualidade identidade e sexualidade – e “Tarântula de botas (Avicularia metálica)” – a gênese de uma Capitu do século XXI – são os dois lados de uma mesma moeda.

Aranhas é um livro com muitas obras dentro de si, uma experiência de linguagem, temática e leitura. É um contraponto à visão obscurantista que tem dominado um país assolado pelo vírus e pelo verme.

ARANHAS | Carlos Henrique Schroeder

Editora: Record;
Tamanho: 192 págs.;
Lançamento: Fevereiro, 2020.

Compre na Amazon

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: AranhasCarlos Henrique SchroederCésar AiraCopiCrítica LiteráriaEditora RecordJorge Luís BorgesJulio CortázarLiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura ContemporâneaMiguel PuigRecordResenha

VEJA TAMBÉM

Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.
Literatura

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
O escritor Alexandre Vidal Porto. Imagem: Alexia Fidalgo / Divulgação.
Literatura

Alexandre Vidal Porto investiga os vestígios do amor em ‘Só Depois Entenderei’

10 de setembro de 2026

FIQUE POR DENTRO

Nova adaptação do romance de John Steinbeck foi conduzida por neta de Elia Kazan. Imagem: Netflix Studios / Divulgação.

‘A Leste do Éden’ renova Steinbeck em adaptação excepcional

19 de outubro de 2026
Imagem: Unsplash.

Editorial: veículos de jornalismo se unem pela democracia

14 de outubro de 2026
As participantes de 'Sua Mãe Te Conhece?'. Imagem: Nat Odenbreit / Netflix.

‘Sua Mãe Te Conhece?’ diverte ao explorar as neuroses da maternidade

7 de outubro de 2026
Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.