• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Julián Fuks e a literatura de ocupação

Em 'A Ocupação', Julián Fuks retoma Sebastián, personagem de 'A Resistência', para criar um romance contra a barbárie.

porJonatan Silva
24 de janeiro de 2020
em Literatura
A A
Julián Fuks retorna em 'A ocupação'

Julián Fuks. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

O homem é o lobo do homem. Ou a ruína, como afirma Julián Fuks em A Ocupação. Se em A Resistência – livro que recebeu três prêmios Jabuti – o autor investiga a própria história, em seu romance mais recente cria aquilo que chama de literatura de ocupação, que faz da cidade personagem, mas também um meio para uma mensagem contra a barbárie, capaz de transformar as vidas de homens e mulheres à deriva em um canto de guerra em defesa da realidade e do presente.

Sem se esquivar da discussão política, Fuks transcende a ideia de pontos de fuga, e como Orwell (1903 – 1950) em Na Pior em Paris e Londres, mergulha no outro. Quando Sebastián, solapado pela perspectiva da morte do pai e pelo nascimento do primeiro filho, participa da ocupação de antigo hotel no centro de São Paulo não é o prédio abandonado – que um dia recebeu entre seus hóspedes Nat King Cole – que acaba por ser ocupado, mas o próprio narrador.

N’A Ocupação, cujo tratamento realista e autoficcional dão o tom da narrativa, o Brasil é um país de contrastes, praticamente impossível de ser compreendido, e explica a impossibilidade de comunicação e interação entre as classes.

O romance, que resulta de uma residência artística que Fuks participou no Hotel Cambridge e também da mentoria do escritor moçambicano Mia Couto – patrocinada, por sinal, pela Rolex –, é o retrato das fragilidades de uma terra em transe: de um lado a população sem teto e os refugiados, de outro, um voyeur de classe média em ruínas. Por meio desses paradoxos, Fuks coloca luz sobre as diferentes experiências que dão forma – e, em muitos casos, até deformam – a sociedade.

N’A Ocupação, cujo tratamento realista e autoficcional dão o tom da narrativa, o Brasil é um país de contrastes, praticamente impossível de ser compreendido, e explica a impossibilidade de comunicação e interação entre as classes. “Não olhei os seus olhos, nos seus olhos não cheguei a procurar a minha própria imagem”, comenta o narrador ao ser abordado por um homem embriagado em uma cadeira de rodas.

A impressão, em um sentido explícito de mea culpa, é muito clara: não fomos feitos à imagem e semelhança daquele com quem nós não nos identificamos.

Dentro dos escombros

À medida que Sebastián se deixa invadir pela ocupação – e aceitar aquilo que é seu, da sua natureza e também da sua família –, a inércia que o levava ralo abaixo passa a colocar suas certezas em xeque, construindo um novo homem dentro dos escombros. É a partir desse processo de ressignificação, por meio das histórias dos moradores e do porquê integram o movimento – permeiando o livro como pequenos contos –, que o romance ganha força e potência. “A literatura é para toda gente, foi-se o tempo em que se acreditava confinada em círculos restritos”, explica Fúks em entrevista à revista Quatro Cinco Um. “É sobretudo para gente desocupada de preconceitos e certezas equívocas”.

Mesmo que à revelia, A Ocupação é uma espécie de continuação de A Resistência, entretanto, é em seu último romance que Fúks faz da literatura um manifesto de sobrevivência e de reflexão, impondo ao leitor um exercício de contínuo de alteridade e empatia.

Isso faz d’A Ocupação uma tentativa bem-sucedida de humanizar o invisível e de trazer à tona uma discussão que, apesar de cada vez mais premente, está longe dos holofotes e ainda muito distante do universo literário.

A OCUPAÇÃO | Julián Fuks

Editora: Companhia das Letras;
Tamanho: 136 págs.;
Lançamento: Dezembro, 2019.

Compre na Amazon

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: A OcupaçãoA ResistênciaCompanhia das LetrasCríticaCrítica LiteráriaGeorge OrwellHotel CambridgeJulián FuksLiteraturaMia CoutoNa pior em Paris em LondresResenha

VEJA TAMBÉM

Gisèle Pelicot, autora de um dos livros de memória mais contundentes dos últimos tempos. Imagem: Christophe Simon / AFP / Reprodução.
Literatura

Em ‘Um hino à vida’, Gisèle Pelicot devolve a vergonha aos culpados

10 de março de 2026
Howard Zinn em Nova York, 2008. Imagem: Marc Dalio / Reprodução.
Literatura

‘A bomba’ revisita Hiroshima para expor a engrenagem moral da guerra moderna

4 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

Show transitará entre o ruído do primeiro disco e a polidez do segundo. Imagem: YouTube / Reprodução.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Horsegirl

13 de março de 2026
Dijon foi considerado um dos melhores artistas de 2025 pela Pitchfork. Imagem: Zachary Harrell Jones / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Dijon

11 de março de 2026
Gisèle Pelicot, autora de um dos livros de memória mais contundentes dos últimos tempos. Imagem: Christophe Simon / AFP / Reprodução.

Em ‘Um hino à vida’, Gisèle Pelicot devolve a vergonha aos culpados

10 de março de 2026
Um dos registros de 'One to One: John & Yoko'. Imagem: Mercury Studios / Divulgação.

‘One To One’ revela detalhes do engajamento político de John Lennon e Yoko Ono

9 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.