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Home Crônicas Henrique Fendrich

Montanhas de Garuva

porHenrique Fendrich
12 de julho de 2017
em Henrique Fendrich
A A
montanhas de garuva

Foto: Henrique Fendrich.

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Garuva é o quê, uns 20, 30 minutos de Joinville? É por aí. Mal a viagem começa e o ônibus já faz uma parada de dez minutos na cidade. Segundo o motorista, é porque nunca se sabe como vai estar o trânsito na serra, às vezes há um acidente e fica todo mundo preso lá em cima por horas até, sem conseguir ir a um banheiro. “A gente tem que usar o bom-senso”, justificou-se. Resolvo descer então, não que eu tenha vontade de ir ao banheiro ou de comprar uma dessas besteiras que se vende em rodoviárias, é apenas para acrescentar mais uma cidade no rol daquelas em que, modéstia à parte, eu botei os meus pés.

A rodoviária de Garuva é como todas as rodoviárias de cidadezinhas do interior, só que menor. Não tem lá muita atração além de um chafariz em forma de moinho d’água. Mas é um engano achar que, por conta disso, não se deve descer do ônibus. Deve-se descer e olhar para além da rodoviária, onde fica aquela impressionante cordilheira que os homens chamam de Serra do Mar. Eu tirei algumas fotos, certamente chamando a atenção de quem ficou dentro do ônibus, gente que está acostumada a fazer aquele trajeto e que já não se espanta com a paisagem. As montanhas são o melhor daquela rodoviária.

Além de mim, só estavam ali embaixo o motorista, que foi comprar um lanche, e uma mulher que se afastou para fumar. De onde ela estava nem dava para ver muita montanha. Ela desceu unicamente para fumar, também é um alívio para os fumantes quando o ônibus para. Pensei em entrar na lanchonete, nem que fosse só para olhar. Lá não tinha, pelo que vi, aquelas comandas das lanchonetes que sempre recebem passageiros de ônibus, aquelas comandas que você tem que pegar mesmo que não compre nada e devolver na saída, e se perder tem que pagar 100, 200 reais. Talvez os preços também não fossem tão abusivos como costumam ser à beira de estrada. Mas eu não entrei, subi no ônibus, tomei o meu lugar e esperei.

Não havia nenhum acidente no caminho. Fica claro que estou desconsiderando o pasmo e o estupor deste cronista diante daquelas montanhas e daquele verde que me rodeavam.

Dali a pouco entrou o motorista e ia iniciar aquela contagem tradicional, porque, de certo, não tinha a intenção de esquecer ninguém em Garuva. Estavam todos lá, menos a mulher que fumava. Ah, mas nós sentimos a sua falta, e logo ela veio, correndinho. O motorista contou uma história. Disse que uma vez eles tinham mesmo esquecido uma pessoa em Garuva. Mas isso foi há muitos anos, nem era ali na rodoviária que o ônibus parava. Não consegui ouvir como terminava. Em seguida o motorista se fechou em sua cabine e a gente saiu, subindo a serra.

Não havia nenhum acidente no caminho. Fica claro que estou desconsiderando o pasmo e o estupor deste cronista diante daquelas montanhas e daquele verde que me rodeavam. Não resisti, tirei o celular e comecei a fotografar. De dentro do ônibus em movimento mesmo, e com a janela fechada. Fotografei, sem querer, muitas placas de trânsito que repentinamente apareciam na minha frente, mas acho que, dadas as circunstâncias, até que se salvou um bom número de imagens. Nem sei se elas foram tiradas todas em Garuva, ou se houve algumas fotos tiradas já em Guaratuba, que é outra cidade, que é outro estado até, mas ainda é o mesmo êxtase, a mesma perplexidade e a mesma perturbação que se tem diante daquelas belezas que, num átimo, justificam todo o Universo.

Tags: CrônicaGaruvamontanhasrodoviáriaSerra do Mar

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