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‘Mônica vai jantar’: uma viagem por corações e mentes

Em 'Mônica vai jantar', Davi Boaventura cria uma novela forte e engajada, capaz de ensinar leitor e personagem a caminhar no vazio.

porJonatan Silva
20 de dezembro de 2019
em Literatura
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O escritor Davi Boaventura

O escritor Davi Boaventura. Imagem: Yaniza Maputo / Divulgação.

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Se em A Resistência, livro vencedor de três Jabuti, o escritor paulistano Julián Fuks dá o pontapé inicial em uma espécie de pós-ficção, em seu romance mais recente, inaugura um movimento que o próprio autor chama de literatura de ocupação – um fazer literário que, antes de tudo, está para além das páginas. Obviamente, a preocupação de criar uma arte cujo centro não esteja em si mesma está longe de algo ser recente – e muito menos inédita –, porém, ao que tudo indica, diante dos ataques à cultura e à educação, parece ganhar forças e uma representatividade cada vez maior em diversas linguagens.

Mônica vai jantar, novela do escritor baiano Davi Boaventura, mesmo que por acaso, partilha dessa estética social e engajada, que olha para o outro na tentativa enxergar o seu próprio reflexo. Com uma crueza escondida sob o verniz do singelo, Boaventura constrói uma narrativa ímpar, chocante e necessária. Diante do absurdo de descobrir que o marido/namorado foi flagrado se masturbando dentro do ônibus, e acaba espancado, Mônica precisa manter o equilíbrio para não faltar a um importante compromisso de trabalho.

É a partir do insólito que Boaventura explora a vertigem e a fina camada de hipocrisia e sangue frio que cobrem os homens e as mulheres médios, que precisam vencer as pequenas agruras do cotidiano para viver, minimamente, bem. Narrado como um fluxo de consciência contínuo, Mônica vai jantar é uma viagem por Porto Alegre e pela mente da protagonista – algo bastante próximo ao que Gaspar Noé cria em Enter the void – para compor um retrato realista de um mundo cínico, conservador e autodestrutivo.

É a partir do insólito que Boaventura explora a vertigem e a fina camada de hipocrisia e sangue frio que cobrem os homens e as mulheres médios, que precisam vencer as pequenas agruras do cotidiano para viver, minimamente, bem.

Excelência

Se por um lado Mônica sabe que sua relação se transformou em pó, depois do incidente, tem consciência também de que parte da mulher que é – física e psicologicamente – foi construída a partir do seu casamento/casamento. Entre o medo do desconhecido e vontade de se refazer, ela vai esbarrando nas burocracias sentimentais que dão forma ao mundo adulto. Tentando escapar do ralo emocional para o qual está escorrendo, Mônica também não consegue fugir às suas obrigações profissionais: é o paradoxo entre o ethos e pathos, o ser para ser e o ser para ter.

E é isso que faz da novela um livro extremamente urgente, mas não datado, e que estabelece um importante paralelo entre a necessidade de criar uma arte que não esteja desconectada do real, que seja empática àqueles que, talvez, nem estejam prontos para digeri-la.

Com Mônica vai jantar, Davi Boaventura encontra a excelência não apenas na construção da narrativa sólida e fluida, mas também na composição de uma literatura de ocupação clara e direta, capaz de encontrar e dar voz ao silêncio – e aos silenciados. Mônica vai jantar é um aula sobre perder o chão e reaprender a caminhar no vazio.

MÔNICA VAI JANTAR | Daniel Boaventura

Editora: Não Editora;
Tamanho: 71 págs.;
Lançamento: Maio, 2019.

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Tags: A OcupaçãoA ResistênciaCríticaCrítica LiteráriaDavi BoaventuraDublinenseEnter the voidGaspar NoéJulián FuksLiteraturaLiteratura BrasileiraMônica vai jantarNão Editorapós-ficçãoResenha

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